ESTE TEXTO NÃO TEM SPOILERS DA SEGUNDA TEMPORADA, MAS HÁ SPOILERS DA PRIMEIRA!

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Não era pouca a expectativa pela 2ª temporada de 13 Reasons Why, afinal, a série foi um sucesso fenomenal de público, crítica, e a Netflix acumulou os louvores do frisson da série quanto a polêmica. Os temas são explosivos: depressão, assédio, estupro e suicídio na adolescência. A primeira temporada se saiu bem-sucedida não só pela discussão em si, mas por colocar isso no primeiro plano, ecolocando o assunto em pauta ao mostrar que sim, é preciso falar de tudo isso.

Mas, provavelmente, a maior polêmica em torno da primeira temporada foi o seu último episódio. Até hoje discute-se a irresponsabilidade ou não da Netflix em exibir uma cena sem cortes de um suicídio. Os realizadores, incluindo a Selena Gomez, disseram que era necessário mostrar isso de forma gráfica e fazem questão de avisar que a série é pesada e que recomendam que os jovens assistam junto com um responsável.

A primeira temporada encerrou de forma fechada, ou seja, sem gatilhos para uma segunda temporada. A história da Hannah Baker encerrou e parecia que terminaria ali, mas meses depois da 1ª temporada, a Netflix anunciou que a nova temporada viria ao serviço de streaming em 2018. Se no primeiro ano o foco estava na história de Hannah Baker e tudo era contado de acordo com o seu ponto de vista, a segunda temporada da série mostra as consequências da morte dela. Sua mãe quer justiça contra a escola e vários pontos de vista são colocados na mesa, na verdade, vários depoimentos até porque todos são chamados para depor no julgamento.


Sendo assim, o primeiro problema desta temporada aparece: a ideia de mostrar pontos de vista diferentes é boa, mas o mesmo não pode-se dizer da falta de foco, do excesso de subtramas, ficou a impressão que os realizadores quiseram atirar para todo lado para justificar os 13 episódios. Aliás, este é o maior problema da 2ª temporada de 13 Reasons Why: ficou claro, desde o primeiro episódio, que não cabiam 13 episódios ali. A falta de foco, misturada com a narrativa insuportavelmente lenta, chegam a irritar quem assiste à série.


O início da temporada mostra as consequências dos últimos acontecimentos e o julgamento, mas não demora muito para a série entrar em um festival de tramas que ligam o nada a lugar nenhum. Entre os episódios 3 e 9, assistir à série é um teste de paciência. As coisas melhoram um pouco a partir do episódio 9, ainda há muitos momentos que não justificam o número de episódios e o ápice está no desfecho do episódio 12 e início do 13.

São momentos tensos, angustiantes e é a 13 Reasons que tanto admiramos em 2017, até que chega o desfecho completamente em aberto para tentar empurrar para o próximo ano. Ficou claro que a Netflix tratou 13 Reasons Why mais como um produto do que como um trabalho de conscientização de um tema tão delicado. Não há nada de errado em um canal aproveitar o sucesso de seu material e expô-lo ao máximo, afinal, estamos falando em canais de TV e não em instituições de caridade, mas uma série com esse alcance deveria ter um cuidado melhor com esse assunto.


Os problemas não param por aí: Hannah é tratada aqui como um fantasma na vida de Clay, mas sua presença é tão frequente que o público quase não sente falta dela e as conversas são tão mal escritas que quase dá vontade de dar risada em alguns momentos.
E uma história tão poderosa quanto à da Jessica e as consequências de seu estupro da temporada anterior pelo Bryce, que deveria ter um foco e destaque maior, é jogada quase que de lado na maior parte da temporada e só reaparece quando é conveniente ao roteiro.

Ok, quando aparece é devastador e, de longe, a melhor coisa da temporada, mas a falta de foco é evidente. Se focasse mais em Jessica e sua luta para voltar ao “normal”, renderia uma série tão boa quanto à primeira, até porque Alisha Boe e Justin Prentice, que interpretam Jessica e Bryce, respectivamente, evoluíram como atores, mas de forma diferentes: ela tendo que lidar com seus fantasmas do passado e ele usando sua influência na escola e com seus pais para se esquivar de tudo.


Nem mesmo o julgamento é bem feito: a tentativa era de mesclar as cenas do julgamento com os acontecimentos da série, seja na escola ou nos flashbacks. Mas a montagem preguiçosa não ajuda muito e a escolha dos advogados em tela também é muito desproporcional: o advogado da mãe da Hannah é tão apagado que quase dá vontade de torcer para a promotora que está em defesa da escola, já que é ela que sempre tem as melhores perguntas e consegue conduzir o julgamento de acordo com seu ponto de vista.

Esta segunda temporada de 13 Reasons Why não deveria existir, mas já que existe, deveria ter o máximo de cuidado da condução de sua série e jamais deveria ter 13 episódios: 8 era um bom número. E agora é esperar para ver se teremos ou não terceira temporada. E que seja mais uma série de fato e menos um produto

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