Todos sabemos o quanto 2014 foi problemático para a cultura nerd em várias áreas. Aqui me atento principalmente aos monumentais fracassos dos games e do cinema no ano predecessor. 2014 se especializou em grandes bugs de lançamentos nos games, para respeitar datas e campanhas de publicidade. Não bastasse isso, filmes simplesmente não compareceram ao marketing feito, especialmente no universo dos super-heróis, libertando o quase intocável “Soldado Invernal” da Marvel.

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Entre erros e acertos, aqui fica a humilde tentativa de listar o que foi, na realidade, a redenção de estúdios, desenvolvedoras e distribuidoras para os games e filmes de 2015. Ambicioso? Talvez, mas também muito sincero. Porque, no final das contas, é o balanço destes erros e acertos que dizem qual o saldo final do nosso ano. Então os louros a quem merece…

Convenhamos que a Marvel esse ano ficou sim um pouco aquém do que esperávamos. Entregando Hulkbuster em toda sua glória na divulgação de Vingadores: Era de Ultron. Entregou um bom filme, mas só no quesito diversão. Muita gente nem menciona a película dos Marvéticos nas listas de top 5 filmes do ano. De qualquer forma, a surpresa agradável de Homem-Formiga trouxe um certo alívio à Marvel Studios por deixar um gostinho bom para 2016. O herói “insectóide” conseguiu trazer o ar canastrão, divertido, engraçado, além de fazer menções legais a outras partes do universo Marvel. Resgatou um pouco o paladar singular que sentimos ao assistir filmes como, por exemplo, Guardiões da Galáxia. Não comparando em todos os sentidos, mas no quesito surpresa agradável. Até que cumpriu bem seu papel.

Homem-Formiga e Vingadores se "encontram" entre erros e acertos
A capacidade da Marvel de se auto-zoar ajuda a se redimir de um ano mediano.

Ao mesmo tempo, do lado da DC nos games não teve alívio para um dos maiores fiascos do ano. Batman Arkham Knight se provou o jogo com o maior tiro pela culatra no quesito performance. Provavelmente os fãs da fraquia no PC ainda esperam que seus jogos funcionem propriamente, sem falar nos infinitos bugs e patchs para os consoles. E é um jogo que deveria, supostamente, encerrar um arco épico de histórias do Homem-morcego nos games. Todo o gráfico maravilhoso e jogabilidade invejável salvaram da frustração dos fãs ao dar de cara com bugs bem irritantes como as constantes quedas no infinito. Isso e os inimigos bugando com o cenário. Não vamos comentar tudo. Menção mais vergonhosa ainda ao que não deve ser nomeado, Tony Hawk Pro Skater 5, o qual foi tão fortemente zoado que nem entra na lista de jogos de 2015 para top coisa alguma, a não ser da vergonha alheia. Foram os refugos do ano dos bugs, 2014, que não acharam vez por completo em 2015.

Nem Batman entendeu o que aconteceu com os bugs em 2015
Nem Batman entendeu o que aconteceu com os bugs em 2015

Por outro lado vimos vários jogos tendo suas data de lançamento adiadas para mais tarde no ano ou até para 2016, de forma a trabalhar melhor o desenvolvimento. A lição foi aprendida. E se podemos tirar duas boas lições de 2015 é que as desenvolvedoras aprenderam, em sua maioria, a só lançar jogos prontos. Sim, alguns vieram com patchs cabulosos, mas a maioria preferiu atrasar um pouquinho o lançamento e dificultar os departamentos de marketing em vez de irritar os fãs. Só que isso não foi a única lição aprendida em 2015. Estamos vendo uma leve inclinação das produtoras de games para dar valor a mulheres e personagens femininas nos jogos. Com o lançamento de Rise of the Tomb Raider, com uma das Lara Crofts mais complexas, densas e fortes de toda a franquia, vimos esperança no fim do túnel. Talvez a surpresa ainda mais grata veio pelas mãos da Ubisoft com Assassin’s Creed Syndicate, que dividiu o palco entre os irmãos Jacbob e Evie Frye. Forneceram uma personagem em patamar totalmente igualitário com o personagem masculino, sem parecer mais ou menos, apenas com estilos de luta diferentes e mesma presença na história. Se isso não bastasse, a Ubisoft teve a ousadia de chamar a atenção para o chauvinismo das cantadas na rua em uma campanha de social media. Parabéns para a desenvolvedora francesa.

Evie Frye e Lara Croft são os acertos das desenvolvedoras para personagens femininas
Evie Frye e Lara Croft mostram o sucesso de personagens femininas fortes nos games.

E no caminho do sucesso absoluto é difícil dizer que alguém surpreendeu mais do que a CD Projekt lançando The Witcher 3: Wild Hunt. A terceira parte da história nos games do caçador de bruxas Geralt de Rívia, baseada nos livros de Andrzej Sapkowski, foi sucesso absoluto em todos os quesitos. Em questão de mundo aberto, RPG, história, carga horária de jogo, mecânica de jogabilidade, gráficos… É difícil achar algum aspecto de The Witcher 3 no qual tenha errado fervorosamente. O fato de uma produtora polonesa usar um livro polonês para catapultar esse sucesso torna tudo apenas mais interessante. Quer dizer, quantas pessoas fora do circuito das notícias de games realmente tinham ouvido falar muito da CD Projekt? Uma galgada para o sucesso que fez páreo até com o lançamento mais esperado e também muito bem sucedido de 2015 nesse sentido, Fallout 4. O qual eu julgo que se sobressaia em outras listas mais pelo hype do que pelo caráter inovador.

Geralt em The Witcher 3 e pip boy de Fallout 4
Geralt se sobressai nos lançamentos de 2015 por ser “gente como a gente” nos games. Pip boy aprova!!!

Mas e os sucessos triunfais nas telonas? Acho que a nerdaiada do mesmo jeito que sabe como 2015 teve fiascos épicos como Quarteto Fantástico – o qual é melhor nem comentarmos – também teve sucessos históricos. Um que estou até surpreso de não ter sido citado mais neste respeitoso site foi Mad Max: Estrada para a Fúria, um já aclamado novo clássico de George Miller. O filme veio despretensioso, munido de um certo hype, mas com as mãos no bolso, e assustou os críticos e o público. Em um frenesi enorme de perseguição alucinante e personagens densos, resgatou o espírito mais puro de Mad Max das antigas, aquele de várzea, e trouxe novos personagens espetaculares. O destaque obviamente vai para Charlize Theron como Imperator Furiosa, tomando a tela como uma das personagens femininas mais fortes não apenas do ano, mas talvez da década, especialmente em filmes de ação/aventura. Por favor, me relembrem de outras personagens desse calibre nos últimos 10 anos, pois estou tendo muita dificuldade em encontrar. Hollywood está de parabéns por todos os personagens e envolvidos nessa obra-prima.

Imperator Furiosa de Charlize Theron
Imperator Furiosa rouba a cena em meio a discussão feminina na indústria

Meu coração não pode, em sã consciência, deixar de declarar o vencedor absoluto de toda a cultura pop nerd mundial na década: Star Wars – O Despertar da Força. Eu já falei mais do que deveria em uma “crítica” bem tendenciosa de um fanboy apaixonado. Ainda, depois disso, nós temos um filme com 94% no Rotten Tomatoes, bilheteria a qual já passa bastante a marca de US$ 1,2 Bilhões, já tendo quebrado todos os recordes de estreia, além de dono dos corações e lágrimas de muita gente em 2015. Não bastassem todos esses marcos numéricos e críticos, ainda tem o fato de que temos um filme que escancara abertamente todos os preconceitos e problemas da indústria de entretenimento, um filme de cultura pop protagonizado por minorias em papéis fortes. Que garota não pode crescer e ser uma Rey? Star Wars este ano não foi apenas um triunfo, é um marco histórico do cinema nerd/geek. Não tem como algo superar isso em uma retrospectiva. #semspoilers

star-wars-episode-vii-the-force-awakens
Star Wars: The Force Awakens foi o melhor do ano

Entre erros e acertos, 2015 foi espetacular e quebrou muitas barreiras, bem mais do que nos anos anteriores. E sinto muito por nem mencionar os sucessos nas séries, animes, quadrinhos e outras facetas da cultura, mas é que também foi muito pra falar. Que venha 2016.

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