Harry Potter é uma franquia que transformou duas mídias: cinema e literatura. Mais do que isso, foi a grande responsável por fazer uma geração ter o hábito de ler e ter o gosto por livros. Mas é perdoável dizer que as expectativas para Animais Fantásticos e Onde Habitam estavam baixas. Sobretudo porque a ideia de trazer o universo dos bruxos de volta parecia uma tentativa de faturar em cima de uma franquia milionária e já encerrada.

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Juntando isso, os trailers não eram exatamente empolgantes e o estúdio já era conhecido por explorar o que não deve ser explorado até as últimas consequências, basta olhar a trilogia O Hobbit.

Mas, felizmente, todas essas baixas expectativas vão por águas abaixo quando assistimos Animais Fantásticos e Onde Habitam. É uma história totalmente nova e um filme que se sustenta sozinho. Há algumas referências a Hogwarts, mas elas não são gratuitas e funcionam. E se 2016 foi um ano em que discutiu-se muito o uso do “fan service”, isso é um grande mérito por aqui.

A história se passa em 1926, onde o bruxo Newt Scamander – Eddie Redmayne, em uma atuação muito inspirada – vai à Nova York atrás de novos animais fantásticos, mas acaba causando um rebuliço na Big Apple. Ele faz com que a MACUSA (Ministério Mágico dos EUA) fique de olho nele.

Protagonistas de Animais Fantásticos e Onde Habitam

Outra coisa que o mercado atual discute é a liberdade autoral que uma obra deve ter: muito se fala de até quando vai o trabalho de o diretor, do produtor ou da interferência do estúdio. No caso de Animais Fantásticos, J. K. Rowling tem muita autonomia perante o estúdio e nota-se o seu trabalho autoral, tanto no roteiro e concepção da ideia, quanto ao trabalho de produção. Há vários momentos de encher os olhos. As novas criaturas foram apresentadas de forma inteligível – e até cômica – sem ser didático e não é difícil fazer com que a plateia se envolva ou se apaixone por algumas delas.

Em relação ao roteiro, o mérito não é apenas em apresentar um novo universo fantástico, mas em colocar elementos do mundo real – ou mundo dos trouxas, como preferirem – inserida na história de bruxaria. A trama se passa em 1926, o mundo ainda vivia o trauma da Primeira Guerra Mundial e os EUA viviam a Lei Seca.

Considerando que essa nova franquia se passará cronologicamente dentro de 13 anos, J. K. Rowling pode dissertar e colocar várias alegorias com assuntos como Crise de 1929, Grande Depressão, Ascensão do Nazismo e até o início da Segunda Guerra Mundial na Europa.

O fato de os trailers e materiais promocionais não terem sido muito atraentes tornou-se um ponto positivo para Animais Fantásticos. Em 2016 o estúdio apresentou excelentes trailers de seus filmes baseados em HQs, Batman VS Superman e Esquadrão Suicida, mas que dividiram o público e a crítica. Uma das razões foi justamente ter entregado demais os conteúdos nos trailers. Já aqui, soubemos o mínimo possível da trama e quanto menos se sabe, melhor ela se torna. As surpresas se tornam mais imprevisíveis.

Portanto, recomenda-se saber o mínimo dos personagens, que eram desconhecidos, mas que são um ponto alto por aqui. Não apenas Newt, mas Tina foi um grande achado. Credence e Percival – papéis de Ezra Miller e Colin Farrell, respectivamente – apresentam um plot twist impressionante, mas quem se sai melhor são Jacob e Queenie, que funcionam como um grande alívio cômico e apesar de serem tão diferentes, apresentam uma química inacreditável.

Nem tudo são flores em Animais Fantásticos. Por alguns momentos a trama se arrasta na tentativa clara se apresentar mais elementos em suas continuações e também para se preparar para o excelente 3º ato, embora muita coisa seja mais compreensível conforme o filme avança, muita coisa poderia ser mais enxugada e até descartada nos 140 minutos de duração do longa.

Mas, apesar dessas ressalvas, Animais Fantásticos e Onde Habitam é um grande filme para fãs e não-fãs do Harry Potter. É um filme-evento para crianças de 8 a 80 anos, para bruxos e trouxas.

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