Na terça-feira, 19 de Julho, recebemos a notícia do caso de uma jogadora profissional de Super Smash Bros que sofreu assédio sexual durante o torneio EVO 2016. Ela se chama Victoria Alexis, mais conhecida como ”VikkiKitty”, além de jogadora também é comentarista.

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VikkiKitty fez a denúncia pelo twitter no domingo dia 17 de julho. Ela comenta que o jogador Cristian “Hyuga” Medina, que também ”era” um jogador profissional, tentou assediá-la no quarto onde ela estava hospedada com o namorado. Na declaração, ela afirma que teria deixado o Hyuga dormir no quarto já que o mesmo estava bêbado. No decorrer da explicação ela fala que acordou com Hyuga deslizando as mãos sobre ela.

Como eu comentei na semana passada sobre coisas que acontecem no cenário, eu não poderia deixar de aprofundar mais ainda as situações que eu convivi nesse meio, mas dessa vez todas relacionadas ao assédio no mundo dos games. Eu já sofri assédio e acredito que praticamente todas as mulheres que jogam já sofreram também.

Vamos começar com os casos mais ”normais” que vemos hoje em dia, quer dizer, desde sempre. Quando jogamos com pessoas desconhecidas e descobrem que somos mulheres, aí meu querido, prepara que lá vem o circo: ”Nossa! não acredito que é mulher”, ”O quê? mulher jogando? só pode ser traveco”, ”Pela foto é gata, me passa seu facebook, linda”, ”Não tem foto, isso é homem!”, ”Isso é mulher? por isso ta jogando mal, nunca ganhei com uma mulher no time”, ”aposto que é gostosa”, ”me passa seu número”, ”manda nudes”, ”vai lavar uma louça”, ”lugar de mulher é na cozinha”, e por aí vai…

Você já cansou? Calma, tem mais. No Dota, por exemplo, temos a possibilidade de nos comunicarmos por microfone, para ter mais sinergia com o time e não perdermos tempo digitando, super legal, né? Bom, seria ótimo se fosse tão simples, muitas garotas não falam por esse sistema pois têm medo ou vergonha de receber assédios em partida. Até porque esse tipo de situação mexe com o nosso psicológico, pelo menos isso acontece comigo. Eu evito falar no microfone justamente para isso não acontecer, mas em momentos que falei, foram pouquíssimas as vezes que algum cara não falou asneira.

Essas são coisas eu escuto desde quando comecei a jogar dota, aproximadamente 9 anos atrás. O mais terrível é que eu tinha apenas 12-13 anos. É claro que no Dota da Blizzard não tinha o sistema de comunicação por microfone, mas o chat das salas e do jogo já eram suficientes para tanta babaquice. Mas as situações começam a ficar piores quando o assédio é cometido por pessoas ao seu redor e de uma maneira mais ”pesada”.

Eu algumas vezes já vi e soube sobre nudes de mulheres que jogam rondando por aí, algumas eu até conhecia! Também temos as situações de pessoas que trabalham com e-Sports. Por exemplo administradores de organizações que tentam ”tirar” algo de você em troca de alguma promessa. Posso citar a notícia de um time feminino brasileiro de League of Legends que denunciou o treinador por pedir nudes de candidatas que tentavam entrar para a equipe. E não é brincadeira não, a denúncia foi feita por um post no facebook da equipe com provas do assédio.

Também já vi várias mulheres falando sobre assédio em grupos de Dota, e sabe o que acontece? Muitas pessoas dizem que isso é besteira. Afinal, tudo é simples e tranquilo quando é algo que não acontece com você, já que não faz você sentir na própria pele o real problema. Eu realmente não sei qual é o problema da maioria dos homens, são poucos os que aceitam mulheres jogando sem expressar surpresa de forma vulgar e escrota.

Mas, querido, não vá achando que isso só acontece no Dota, acontece em todas as comunidades. Eu por exemplo comecei a jogar Counter Strike: Global Offensive, se eu falo no microfone em alguma partida, pode aguardar que vem merda. Ainda tem uma galerinha que vai pensar ”ela está exagerando”. Não, eu não estou e não teria porquê exagerar sobre algo tão sério. Estou cansada de gente escrota na comunidade, e pode ter certeza que são a grande maioria, infelizmente. É muito fácil fazer as coisas por trás de um monitor, não é mesmo? Eu só quero uma coisa: respeito.

Acredito que todos tenham tido educação o suficiente para aprender o que significa respeito. Sim, eu só quero respeito, nada mais que isso. Eu quero poder jogar um jogo sem ter receio das pessoas saberem que sou mulher, sem ter medo de receber assédio enquanto jogo, sem ter que escutar sempre as mesmas frases machistas e escrotas. Eu quero poder entrar pro mundo dos e-Sports sem ter que escutar ”negociações” e ”chantagens” me envolvendo pelo simples fato de ser uma mulher.

Nós mulheres lutamos todos os dias pela igualdade, as que trabalham com os esportes eletrônicos também fazem o mesmo. São essas situações que nós queremos que acabe. Eu não quero ninguém babando meu ovo por ser mulher ou me dando mil elogios nesse meio, como já aconteceu. Eu não quero ninguém me menosprezando por ser apenas uma mulher que é apaixonada por jogar. Eu não preciso de ninguém para mostrar o quanto eu sou capaz de fazer algo que gosto.

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