A Ficção Científica é dos gêneros mais celebrados por fãs e críticos e não é por acaso. É possível falar em ciência, tecnologia, ainda dissertar sobre assuntos do presente e futuro e o mais importante para qualquer obra independentemente do gênero, investir em emoções humanas.

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Basta ver os grandes clássicos do gênero como 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Matrix ou até Star Wars. Nos últimos anos foram surgindo filmes de ficção científica que foram muito bem sucedidos. Eles estiveram presentes nas premiações e embora nem todos eles tenham sido unanimidades com o público e crítica, tiveram a sua importância para a ciência e para o cinema. São eles: Gravidade, em 2013, estrelado por Sandra Bullock, vencedor de 7 Oscar, incluindo o prêmio de melhor diretor para Alfonso Cuarón e  Interestelar, de 2014, que dividiu público e crítica, mas que venceu o Oscar de Efeitos Visuais. Em 2015 tivemos duas grandes obras do gênero: Perdido em Marte, que foi indicado a Melhor Filme e Melhor Ator este ano e foi o melhor filme de Ridley Scott em anos e o genial Ex-Machina, que não foi exatamente um sucesso comercial. Ganhou o boca-a- boca, nem foi lançado nos cinemas brasileiros, mas foi uma grata surpresa da temporada passada. Faturou o Oscar de Efeitos Visuais este ano, superando arrasa-quarteirões como Star Wars – O Despertar da Força e Mad Max – A Estrada da Fúria.

E agora, em 2016, surge um candidato a clássico do cinema, que merece não só indicações ao Oscar 2017, mas o reconhecimento do público e da ciência como um todo. A Chegada não é apenas o melhor filme do ano até o momento, é mais uma prova de que Hollywood não perdeu sua originalidade e que dá sim para realizar um blockbuster com inteligência.

E tem mais. Ele mostra que o cinema autoral ainda não está morto para filmes de grande orçamento, justamente em um ano como este na qual discutiu-se o papel do produtor e estúdio no roteiro de muitos filmes, sobretudo as adaptações de quadrinhos.

O canadense Denis Villeneuve chegou sem fazer barulho em Hollywood, já teve uma indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2011 por Incêndios e vem se superando a cada filme. Os Suspeitos, O Homem Duplicado e o recente Sicario são grandes filmes, mas completamente diferentes entre si. Isto só mostra que Denis consegue transitar por vários temas, não tem bem um estilo próprio, mas onde sua câmera e direção estão presentes.

Logo ele estará na direção em Blade Runner 2, mas aqui já se arrisca na ficção científica. Em A Chegada, o mundo está sendo invadido por naves alienígenas. Não exatamente naves como imaginamos, mas que são grandes corpos em forma de concha. Há 12 delas espalhadas pelo planeta. O governo americano chama a professora de lingüística Dra. Louise Banks (papel de Amy Adams) para identificar a mensagem alienígena e o matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner) para ajudá-la na missão.

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Quem for assistir A Chegada nos cinemas, um aviso importante: não se trata de um filme de ação com cenas espetaculares e nem mesmo é um filme “para a galera”. A narrativa é linear e o diretor não tem pressa de contar a sua história. Durante a sessão de pré-estréia dele, houve algumas pessoas dormindo ao longo do filme, alguns casais saíram no meio da sessão e na saída, houve gente falando que é “muito parado”. Ou seja, A Chegada não tem nenhum valor de entretenimento, é cinema de gente grande e feito para quem realmente gosta de uma boa história e aprecia a sétima arte.

Denis Villeneuve usa a invasão alienígena para fazer uma alegoria sobre a nossa falta de comunicação, falar sobre a vida na Terra e da nossa arrogância em associar a “vida” apenas com o que está ao nosso alcance, tudo com o pé no chão e sem sair do controle – e olha que lições de moral poderiam aparecer com todo o pieguismo – Michael Bay deveria aprender.

De início, a ideia pode parecer confusa e absurda, mas que o roteiro explica conforme o filme avança, sem ser didático e sem questionar a inteligência do espectador. Na verdade, os dois primeiros atos preparam o terreno para um terceiro ato arrebatador, com um final digno de entrar entre os melhores da história e ao final da sessão, dá vontade de ver o filme novamente, para saber se as pistas estavam todas lá. Alguém se lembrou de O Sexto Sentido?

Tecnicamente, A Chegada faz um trabalho primoroso de fotografia, uma montagem que sabe a hora cortar seu filme sem ser confuso e sem prolongar sua história – outra coisa que Michael Bay deveria aprender – o mesmo vale para a edição e mixagem de som junto com a trilha de Jóhann Johannsson (vencedor do Oscar por A Teoria de Tudo) que é contida ao passo que ela está presente em momentos-chave.

Curiosamente, um dos produtores é Shawn Levy, que também produziu a série da Netflix, Stranger Things. O elenco aqui é muito competente e Denis consegue extrair o melhor dos atores, mas o destaque fica mesmo para Amy Adams, que sempre bate na trave nas premiações, mas que pode ver em A Chegada a chance de finalmente ganhar. De blockbusters como Batman VS Superman e Encantada a filmes menores como Dúvida e Junebug, Amy mostra que é das melhores atrizes de sua geração e justamente por estar há anos nas premiações e por estar em alta em Hollywood que a Academia pode interpretar que chegou a hora de Amy Adams.

E tem mais: em tempos de debate sobre empoderamento feminino, A Chegada apresenta uma protagonista feminina, onde nada acontece sem a sua presença – apenas ela consegue decifrar as mensagens alienígenas – e os homens em volta dela são meros coadjuvantes. Em outros tempos, seria um homem inteligente como o herói da vez e a mulher como mero enfeite romântico.

São os novos tempos aí sem ceder aos caprichos da Hollywood atual, juntando tudo isso com uma trama provocativa e genial, A Chegada é o melhor filme de 2016 até o momento, merece ser apreciado e discutido. Quantos filmes atuais promovem debates hoje em dia?

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