O tão esperado The International 2016 de Dota 2, com premiação total de U$19,798,636, terá o evento principal nos dias 8 até 13 de agosto. Seis times foram invitados: OG, Team Liquid, Newbee, LGD-Gaming, MVP Phoenix e Natus Vincere. Os outros 12 times (Evil Geniuses, Wings Gaming, Team Secret, TnC Gaming, Digital Chaos, Vici Gaming Reborn, Alliance, Fnatic, CompLexity Gaming, EHOME, Escape Gaming e Execration) passaram por qualificatórias, totalizando 18 equipes.

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Imagem do site oficial do torneio

Mas hoje eu não darei ênfase a esse campeonato em particular, darei sim a algumas situações que muitas pessoas desconhecem ou talvez acreditam que não existam no cenário de Dota 2. Eu estava conversando com uma amiga (Kami, ex-jogadora profissional de Dota 2) e ela me mostrou um texto de 2014 feito por um jogador muito conhecido, EternalEnvy, atualmente joga pelo Team Secret. Ele fala sobre as coisas que acontecem por trás do cenário com jogadores e, também uma questão bem interessante, sobre o ‘’problema’’ da existência de muitos campeonatos de Dota 2.

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EternalEnvy: Jogador profissional, atualmente joga pelo Team Secret

Você deve estar pensando: “problemas com muitos campeonatos?’’ Sim! Eu não tinha pensado nisso até ler o texto enorme que o EternalEnvy escreveu. Hoje em dia existem muitos torneios, ou seja, isso faz com que muitos jogos se tornem ‘’normais’’ e não exista mais aquele fervor todo pela competitividade entre jogadores ou pelo público com relação ao favoritismo de equipes. Jogadores não dão a mínima se perdem um jogo contra determinado time, eles sabem que na próxima semana o enfrentarão novamente, tendo assim uma revanche rápida. Antigamente as equipes esperavam meses para se enfrentar, justamente por existirem poucos torneios. Já em relação ao público, as pessoas só se importam com os itens ‘’cosméticos’’ que ganham enquanto assistem aos campeonatos, ou quando compram os tickets para assistir.

Isso faz sentido, sabe porquê? Justamente porque ninguém compra o Battle Pass do The International para ajudar os times, e sim por causa dos recursos e recompensas exclusivas. Para quem não sabe, 25% do valor das vendas do Battle Pass vai diretamente para a premiação do The International. Não entendeu ainda? Nós é que pagamos a premiação desse campeonato. Agora você imagina, se 25% vão para o campeonato e a premiação chegou a $19 milhões de dólares, os outros 75% caminham diretamente para a Valve.

 

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Imagem do site oficial do torneio

O ruim de ter muitos campeonatos, foi até o ponto que eu concordei com o EternalEnvy, é que os times são ‘’obrigados’’ a participarem de todos os torneios possíveis e tentarem uma posição boa para terem visibilidade. Se a equipe não participa de um campeonato, pode perder o convite para o The International, que é o maior campeonato de Dota 2 e todos sonham em participar, justamente pela grande premiação.

Mas eu também não posso deixar de citar que poucos campeonatos não desenvolvem cenários. No Brasil, hoje em dia quase não se vê mais torneios com times fortes, o que talvez tenha sido um dos motivos para realmente não ter equipe boa o suficiente para disputar com os times de fora. Não existe competitividade no cenário de Dota 2 no Brasil, e eu posso, com total certeza, comparar com o cenário brasileiro de League of Legends. Apesar de não termos apoio da Valve aqui, e talvez esse seja um dos motivos para não termos times fortes, o cenário de League of Legends é completamente diferente. Lá existe competitividade, existem circuitos todos os anos entre os times e é claro, investimento de empresas e organizações.

Quero deixar claro que eu não defendo nem um pouco os jogadores brasileiros de Dota 2, mas essa é a minha opinião pessoal. O Counter-Strike: Global Offensive também é um jogo da Valve e ela não bota o dedo no cenário daqui. E por qual motivo os brasileiros estão se dando tão bem nesse jogo? Porque existe uma coisa chamada empenho. Não podemos deixar de citar o caso do jogador FalleN que fez uma ‘’vaquinha’’ com toda a comunidade para poder levar o seu time para um campeonato na China.

É bom lembrar também que um time de Dota 2 aqui do Brasil, razoavelmente bom, já teve oportunidade para ir em um campeonato presencial na França, porém o time não conseguiu patrocinadores para ir, talvez por falta de empenho para correr atrás, acabaram deixando a vaga para outro time brasileiro (particularmente um time horroroso). Esse time foi para fora com ajuda de patrocinador e fez o maior fiasco, não deveriam nem ter ido, já que não tinham capacidade nenhuma para competir com os times de lá. Me explica como um time bom não conseguiu ir para fora e um time ruim conseguiu?

O EternalEnvy termina o texto dele com as seguintes palavras – ‘’Dota esse ano foi uma merda, e pelo andar das coisas parece que vai ser um próximo ano de merda. Eu espero que um dia o público lembre como é ajudar um torneio não porque vai ter um set, mas por causa dos jogadores do torneio. Por alguma razão eu atualmente tenho fé, jogadores começaram a se juntar e ter ideias de como salvar o Dota2. Eu espero que a qualidade dos narradores comece a aumentar de novo, como foi no último ano. E também parece que os organizadores dos eventos querem tudo se matar, então os jogadores podem ajudar nisso”. (Texto traduzido na fanpage oficial da Kami)

Já eu termino hoje o texto deixando uma pulga atrás da orelha de vocês com várias situações que trouxe sobre o cenário. Muitos campeonatos dão mais chances para outros times que o Dota 2, mas ao mesmo tempo tem o lado dos profissionais que se desgastam em inúmeras qualificatórias e vários torneios ao mesmo tempo. Os profissionais de Dota 2 precisam jogar todos os inúmeros torneios pra ter maior visibilidade e, quem sabe, tentarem uma posição ótima. O desgaste é real, muitos não conseguem dar o melhor de si. E terminando, para quem tem interesse, realmente parem para ler o texto do EternalEnvy, é muito bom mesmo. Também um agradecimento especial a Kami por ter me dado inspiração, gracias, chica!

Gostou do meu texto? Sou um pouco barraqueira, então leia também o texto sobre coisas que eu passei no cenário enquanto jogava profissionalmente.

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