Rogério de Campos é editor e criador da Veneta. Jornalista, tradutor, autor do romance Revanchismo e do Dicionário do Vinho (Editora Nacional), vencedor do Jabuti 2011. Entre seus feitos como editor estão os lançamentos dos mangás Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Vagabond e tantos outros como Neil Gaiman e Alan Moore. Em entrevista exclusiva para o Nerdista, fala sobre HQ, Cinema, mercado editorial e literatura.

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veneta


1 – No site da editora Veneta, no link Quem Somos tem a descrição bastante enfática “Essa editora tem como responsabilidade social desafiar as convenções, os consensos manufaturados, as autoridades em geral e, se necessário, seus leitores.”Pergunto: Porque e como os leitores podem ser desafiados?

O leitores devem ser desafiados porque insistem em nos provocar.


2 – Além dessa proposta de provocação, conte-nos mais sobre a editora, como surgiu, sua história e planos futuros.

Eu queria ser desenhista, mas, quando comecei a editar a Animal, tinha tanta coisa tão muito melhor do que as HQs que eu fazia, que desisti e virei só editor. Foi com a Animal que ganhei meu primeiro prêmio HQ Mix de melhor editor, em algum momento do final dos anos 1980. Desde então tenho editado, traduzido e escrito a respeito dos quadrinhos.

Fui durante quase vinte anos o diretor editorial da Conrad na área de livros e quadrinhos. Fui o responsável pelo lançamento dos mangás do Dragon Ball, dos Cavaleiros do Zodíaco, Vagabond, Blade, Gen Pés Descalços, One Piece, Evangelion e tantos outros. Editei Will Eisner, Neil Gaiman, Alan Moore e também fui o responsável pelo lançamento no Brasil de autores como Joe Sacco, Andrea Pazienza, Jacques Tardi, Alison Bechdel, Giovanna Casotto, Suehiro Maruo, Charles Burns e um monte de outras maravilhas dos quadrinhos. Enfim… tenho tido muita sorte. Veja a Veneta: a editora tem apenas três anos, e já está cheia de prêmios, até prêmios internacionais. E veja os autores que publicamos: só o melhor!


3 – O catálogo da editora tem nomes como Alan Moore  e Robert Crumb, em contra partida tem vários outros nomes que não são conhecidos do grande público. Como trabalhar com essas diferenças e principalmente com outros títulos best sellers ou produções como Marvel ou DC?

Não faz diferença: só publicamos livros que são muito bons. Esse é o critério. Alguns foram feitos por autores famosos, outros por autores que ainda serão famosos.


4 – Existe algum conceito que defina uma Graphic Novel? No que ela é diferente dos quadrinhos mais comerciais?

A palavra “graphic novel” surgiu como parte do movimento de alguns quadrinistas e negociantes norte-americanos para dar maior respeitabilidade para os quadrinhos. Os primeiros buscavam o reconhecimento como artistas, os editores tentavam vender mais caro produtos que não já atraiam mais para um público de massa, na tentativa de manter o mesmo faturamento com menores tiragens, e preços de capa maiores.

Mas “graphic novels” já existem há muito tempo. Os quadrinhos que Töpffer fazia no início do século XIX eram “graphic novels”. Veja, por exemplo, a História do Senhor Jabot, no livro Imageria.


5 – Dentro desse gênero pode citar algum autor novo, ainda pouco conhecido mas que os leitores precisam conhecer?

Primeiro recomendo o conhecer o primeiro: Rodolphe Töpffer. Passado quase dois séculos continua como um dos melhores quadrinistas de todos os tempos. E um dos mais divertidos. Mais vivo e novo que qualquer coisa produzida hoje pelas fábricas de comic books industriais.


6 – Nos dias de hoje as novas tecnologias gráficas permitem a auto-publicação de autores iniciantes. Isso falando em livros de poesia e prosa, e no caso dos quadrinhos existe um movimento parecido, ou alguma forma de jovens quadrinistas terem seus trabalhos publicados ou divulgados?

Sim. Claro. Essa é a base desse boom que está acontecendo no mundo dos quadrinhos. As editoras raramente criam alguma coisa.


7 – Alem de editor você é autor , pode falar sobre seus livros e se trabalha no momento em algum projeto literário?

Gosto de escrever sobre assuntos a respeito dos quais não sei nada. Foi por isso que escrevi o Dicionário do Vinho, o Revanchismo e o Livro dos Santos. Quando comecei o Imageria imaginava que ele seria exceção. Achava que de quadrinhos eu entendia. Grande engano. Descobri que eu não sabia quase nada.


8 – Tem acompanhado as várias adaptações de quadrinhos para o cinema? Pode citar algumas que tenham lhe agradado?

Gostei do Popeye, do Robert Altman. E do American Splendor, do Terry Zwingoff. Gostei das cenas da Kirsten Dunst no primeiro Homem-Aranha.

A melhor versão cinematográfica de uma HQ de super-heróis é, claro, o Batman, de William Dozier. A versão que ele fez para TV é melhor, mas o filme é bom. Nunca mais o cinema conseguiu repetir o feito. Na verdade, nem os quadrinhos conseguiram fazer algo tão bom com o Batman: a série de TV é imbatível.


9 Perguntinhas rápidas:

Marvel ou DC?

Fantagraphics

Batman ou Superman?

Mister Natural

E na guerra Civil em que lado você fica, Capitão América ou Homem de Ferro?

Fico em um boteco, bebendo com a Deisy Mantovani, a heroína de Bulldogma.

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