La La Land fez história no Globo de Ouro deste ano: venceu todas as categorias pelo qual foi indicado, totalizando 7 prêmios. Nem Titanic havia sequer chegado perto de conseguir esse feito, sobretudo porque a premiação divide os filmes na categoria Drama e Comédia ou Musical e realmente é difícil algum filme sobrar como vencedor, já que tem que dividir as atenções com algum outro.

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Na ocasião da premiação, muitos se perguntaram: La La Land é realmente tudo isso? E a boa notícia: é sim!

E quem estava desconfiado, possivelmente não viu quem é o diretor e roteirista, Damien Chazelle, que há 2 anos nos entregou o espetacular Whiplash e aqui melhora tudo o que já era maravilhoso na ocasião: roteiro, atuações, montagem, fotografia, trilha e a mensagem para o seu público.

Em Whiplash vimos a trajetória de um jovem em busca da perfeição e seu professor perfeccionista que utiliza métodos praticamente desumanos em seus alunos. Já em La La Land observamos uma grande reflexão: seguir os seus sonhos ou a sua carreira? É melhor arriscar ou ir para o caminho mais confortável?

Ryan Gosling e Emma Stone fazem o melhor papel de suas carreiras, os prêmios no Globo de Ouro foram mais do que merecidos e, se vierem, os Oscars estarão em boas mãos. Ele é Sebastian, um músico de jazz praticamente amador que sonha em ter o seu próprio clube. Ela é Mia, uma garçonete em Hollywood que sonha em ser atriz, mas que nunca é aprovada em testes de elenco.

Os dois funcionam muito bem separados: ele é um pouco do que os americanos chamam de “loser”. Já Mia é uma moça que é fácil se identificar: quem nunca esteve em um emprego menos favorecido que almejava uma posição maior na carreira?

Mas o que realmente leva o filme é os dois juntos. A química entre Ryan e Emma é impressionante, não é a primeira vez que vimos os dois juntos (a primeira foi no delicioso ‘Amor à Toda Prova’) e a platéia acredita e torce por eles como um casal.

Há diversos números musicais em La La Land que beiram a perfeição e funcionam mesmo para quem não gosta de musicais, principalmente porque o foco aqui não são as músicas, mas sim a história e os personagens. Logo na cena de abertura, Damien Chazelle nos entrega um maravilhoso plano-sequência de um engarrafamento em Los Angeles onde as pessoas saem dos veículos e começam a dançar e cantar. Quase não há cortes, mas eles são visíveis e funcionam para a cena. O que é a cena da dança na praça (que está no pôster), senão uma das mais brilhantes e tocantes da história do cinema? Ou quando Mia e suas amigas saem dançando ao som de ‘Someone in the Crowd’? Aliás, a trilha sonora é outro personagem de La La Land – quem puder ouví-la completa estará fazendo um grande investimento para si mesmo.

Tecnicamente, La La Land é perfeito: além da Montagem já citada, a fotografia em tons coloridos e puxados para o azul parece um retrato em movimento, a direção de arte e figurino são clássicos e remetem à Hollywood dos anos 40 e 50, ao passo que estão de olho também no presente e no futuro. O filme deve ir ao Oscar nessas categorias.

La La Land é tudo o que um bom cinema deve ter: faz o público pensar, se apaixonar, se identificar, é musicalmente incrível, tem atuações espetaculares, é muito bem dirigido e tecnicamente perfeito. E merece mais do que indicações ao Oscar: é um retrato que o cinema pode ir além da arte e da diversão. De quantas obras atuais podemos dizer o mesmo?

Nota: 10,0

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