Não é exagero nenhum dizer que O Show de Truman é um filme muito à frente do seu tempo: nos anos 90 não se discutia sobre Reality Shows, exploração da mídia e privacidade, mas o filme não só tocou nessas feridas há 20 anos, como ele se torna melhor se visto agora, sobretudo porque ele chegou à Netflix. Sendo assim, pode ser que uma nova geração o descubra. Nos anos 90, Jim Carrey estava com um estigma forte de comediante e o colocou em prática em filmes como: Ace Ventura e Débi e Lóide. Já o Show de Truman, foi importantíssimo para que a crítica e as pessoas o enxergassem como um ator um pouco mais sério…

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Jim ganhou o Globo de Ouro de melhor ator dramático, porém foi ignorado no Oscar (3 vezes), por este filme, no ano seguinte por O Mundo de Andy e depois por Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Até parece que a coisa é pessoal contra o ator, mas não é.
Em O Show de Truman, Jim interpreta o personagem principal (Truman). Truman vive numa pacata cidade, tem uma vida simples, uma linda esposa (vivida por Laura Linney), e um bom amigo. Porém, tudo não passa de uma grande encenação, já que sua vida é 100% monitorada e é um programa de TV. Ou seja, todas as pessoas que passam por sua vida são atores ou atrizes. A cidade é cenográfica e quem comanda tudo é o personagem do Ed Harris, que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.


Quem dirige o filme é Peter Weir, um bom diretor, como na obra-prima Sociedade dos Poetas Mortos. No entanto, o roteirista do longa é Andrew Niccol, que havia dirigido Gattaca no ano anterior, e que foi um filme muito subestimado. Já em Show de Truman, Niccol pôde sentir um pouco do cheiro do sucesso e premiações, levando em conta que ele foi indicado a Roteiro Original no Oscar e merecia ter ganho no lugar de Shakespeare Apaixonado. O filme busca criticar a ética dos reality shows, tanto do lado do público, quanto do lado dos produtores daquele tipo de conteúdo. E deixa o questionamento: Até onde vai o direito de explorar o outro por causa de audiência?
Truman claramente não ama a esposa, nem ela o ama, porque ela é uma atriz e a pessoa que deveria ter ficado com ele foi simplesmente apagada de sua vida. A vida de Truman não passa de mera diversão para as pessoas, e como peça publicitária, há vários momentos em que os atores quebram a 4ª parede e fazem propaganda, como os comerciais de TV. Há uma grande virada de roteiro no 3º ato, onde as críticas sociais ainda estão presentes em tela, mas o filme provoca o ímpeto no público em torcer pelo protagonista e finalmente ter a vida que lhe foi roubada. É um mérito do roteiro, da direção, mas também da atuação de Jim Carrey. O que ele fez no filme merecia mais do que uma indicação ao Oscar: É um papel para a vida a ser estudado e apreciado por gerações.


O filme foi bem de bilheteria, custou 60 milhões e faturou 264 nas bilheterias mundiais. Também foi ovacionado pela crítica, tem 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, porém o seu grande e verdadeiro grande trunfo aqui é o legado, todas as discussões que o filme traz e o carinho que muitos têm para com este filme.

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