Tomb Raider era para ser o escolhido, trazer o balanço para a Força, mas sucumbiu ao lado negro do roteirismo

De forma geral, a relação entre cinema e games é péssima. Um não se entende com o outro e, na maioria das vezes, uma mídia não costuma adaptar bem a outra. Em 2016, houve uma esperança com Warcraft e Assassin’s Creed. Ambos prometiam levar os games a sério e elevar as adaptações de games aos arrasa-quarteirões. Mas com tramas fracas e personagens desinteressantes, a coisa só ficou na promessa. Agora, em 2018, chega aos cinemas a nova versão de Tomb Raider, com a promessa de ser um sucesso. Seria uma nova trilogia para tirar o gosto amargo da maioria das adaptações.

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Em Tomb Raider, Lara é uma moça que vive em Londres como entregadora porque renegou a fortuna de seu pai, que está desaparecido há 7 anos. Quando ela recebe de herança uma relíquia, ela parte para uma ilha japonesa e vai em busca dele.

O primeiro problema do roteiro já começa aí. Quiseram dar uma introdução da Lara como uma garota humilde, mas descobrimos que ela é rica e a empatia vai embora. Não faz sentido ela esnobar a fortuna e depois quase perder a vida em busca de respostas.

O filme é baseado no reboot da franquia dos games de 2013 e não é continuação dos filmes com a Angelina Jolie dos anos 2000. Na ocasião, Tomb Raider já era uma franquia de sucesso e uma das razões do sucesso era o fato de a Lara ser sexy symbol. Angelina era a atriz perfeita para o papel.

Já no reboot de 2013, a Square Enix mudou isso, colocou uma Lara mais humana e menos sexualizada. O resultado foi um excelente jogo, sucesso de público e crítica.

E se na ocasião de 2001, Angelina era a Lara perfeita, aqui, Alicia Vikander também é. Ela não é uma excelente atriz, como já vimos em filmes como Ex-Machina ou A Garota Dinamarquesa. Este último rendeu a ela um Oscar. Quem assiste o making of deste filme, viu que ela não usou dublê nas cenas de ação e teve todo um preparo físico para entregar a melhor Lara possível. Conseguiu, porque se este filme é fraco, a culpa é do roteiro e não dela.

A ideia das cenas de ação é muito boa, algumas são praticamente tiradas do jogo. O problema está na direção dessas cenas, a maioria muito mal coreografadas e mal montadas. Você não entende o que está acontecendo. Ficou parecendo Transformers. Quem assistir ao filme nas primeiras fileiras do cinema, corre o sério risco de sair da sessão com vertigem.

Mas nada é pior do que o roteiro e as conveniências do roteiro, primeiro que o mesmo flashback aparece várias vezes no filme quando convém. Mostra Lara quando criança e o pai consolando-a.

Aliás, todo esse lance do pai é uma tentativa bem fracassada de simular Indiana Jones e a Última Cruzada, mas não chega nem aos pés do 3º filme da franquia do Indy.

Em filmes de exploração como Indiana Jones, ou jogos como Uncharted e até mesmo Tomb Raider, temos a ideia da descoberta e exploração. O público vai descobrindo junto com o explorador ou a exploradora. Aqui querem resolver tudo tão rápido que nem dá para se envolver. Lara resolve tudo num passe de mágica e a graça vai embora.

Até o restante do elenco é fraco. Dominic West, da série The Affair é o pai dela, que só serviu de muleta para a protagonista. Walton Goggins é um vilão genérico e superficial. Daniel Wu foi completamente subutilizado, assim como Kristin Scott Thomas, que parece que anda com as contas atrasadas.

Temos um filme que poderia ter sido bom, mas o resultado é um filme normal, genérico, esquecível e quase insuportável, se não fosse a protagonista.

Tomara que o filme seja um sucesso e que vire uma trilogia, já que o game tem uma continuação. Rise of the Tomb Raider, de 2015 é o segundo da franquia e um terceiro jogo foi anunciado para o segundo semestre de 2018. E que acertem no roteiro na próxima.

 

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