Segunda feira, dia 25 de julho de 2016, estávamos todos lá na porta do cinema na expectativa para a sessão de A Piada Mortal. Para mim era tipo fantástico, uma Hq que eu considero top 5 das que eu já li sendo adaptada para animação pela DC, e quem já teve contato com as animações da DC sabe que eles fazem um trabalho bem honesto. Adaptações como Grandes Astros Superman, Batman contra o Capuz Vermelho e DC Nova Fronteira são bons exemplos de clássicos que conseguiram fazer essa mudança de mídia de uma forma boa. Mas infelizmente sinto em dizer que esse não foi o caso com A Piada Mortal.

Assine nossa lista de e-mails para ter novidades nerds de alta qualidade, imediatamente, assim que forem postadas

Pro nerd que vive em uma caverna e nunca ouviu falar em A Piada Mortal, é uma Graphic Novel escrita pelo velho bruxo Alan Moore e desenhada por Brian Bolland onde o Coringa tenta provar que toda e qualquer pessoa está apenas a um dia ruim de se tornar uma pessoa como ele. Para isso ele ataca Barbara Gordon com intuito de atingir o comissário Jim Gordon, o pai da moça. A premissa é essa.

Como A Piada Mortal não se trata de uma história exatamente grande, a equipe de roteiristas composta por Brian Azarello (que vem pra CCXP 2016) e Bruce Timm (que é quem comandava a série animada do Batman) resolveu adicionar algumas cenas, é exatamente aí que os problemas da animação se iniciam.

A parte adicionada se passa no começo da história e tem como foco a passagem de Barbara Gordon como Batgirl. A heroína começa o filme perseguindo um caso em que Batman mandou ela se afastar, essa cena tem meia hora de história e trabalha exatamente esse foco: Barbara quer ajudar, mas Batman manda a garota não se envolver com um vilão que claramente está mexendo com ela. História vai história vem e vemos que Barbara está claramente confusa com seus sentimentos em relação ao Batman.

Depois de um amigo gay estereotipado e um ataque a um rapaz que agredia a namorada na rua, Barbara se vê em um embate com Batman novamente, os dois acabam se estranhando pelo fato de ele não a deixar ajudar com o caso e do nada acabam transando.

Isso não faz sentido algum, a relação de ambos sempre foi muito mais algo como pai e filha, apesar deles já terem sido mostrados como casal nas animações, dentro desta em específico parece algo muito mais feito para criar a polêmica do que para realmente mostrar algum tipo de interação crível que possa acontecer entre ambos. Dentro destes 30 minutos de A Piada Mortal ainda acontece uma parte lamentável em que o vilão faz uma piada com a TPM da Barbs e ela o espanca até o ponto de quase matá-lo. Se isso foi feito com a intenção de mostrar uma personagem feminina forte, eles falharam miseravelmente.

Após esses 30 minutos a Hq realmente começa dentro do filme, e nessa parte vemos novas falhas adicionadas pelos roteiristas em relação a Barbs e uma desconstrução bem equivocada do Coringa. A história começa com Batman indo visitar o Coringa na prisão, quando ele descobre que o palhaço do crime fugiu. Logo depois vemos o ataque a casa da Barbs, nesse ataque tem uma cena que fica a possibilidade de ter acontecido um estupro, no filme fica claro que essa possibilidade aconteceu.

Em uma cena seguinte o Batman vai investigar, sabe-se lá por que, um grupo de prostitutas que diz que o Coringa sempre aparece por lá para dar uma “bimbada” quando sai da prisão, algo que também não faz sentido algum dentro do universo do personagem. O Coringa sempre foi conhecido por atuar mais no aspecto psicológico do que no sexual, na Hq de A Piada Mortal ele pode até ter estuprado a Barbara, mas ele não teria o feito para dar uma transada, ele teria feito pra atingir o comissário Gordon.

Mas nem tudo é problema dentro da animação de A Piada Mortal, a segunda metade funciona muito bem, a Hq é quase um storyboard para o filme, todos os quadros famosos do desenho do Brian Bolland estão lá. E não posso deixar de elogiar a atuação do Mark Hamill e do Kevin Conroy como Coringa e Batman respectivamente, são de longe a melhor parte do filme, principalmente Hamill na sequência final do filme.

Fora isso todo e qualquer mérito que essa animação tenha passa pelo roteiro do Alan Moore que construiu um conto de loucura e dualização entre Batman e Coringa, o que é a base para a relação entre os dois até hoje. Pena que a maldição do Velho Bruxo continua, afinal ainda não tivemos nenhum filme bom vindo de suas fantásticas obras.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here