Anos 80, Sessão da Tarde, um dia qualquer… Pela primeira vez uma criança entra em contato com uma nave se esquivando entre saraivadas de lasers de um Star Destroyer através da pequena, mas imponente tela de televisão de tubo. O pensamento deste interlocutor: “Nossa, isso é muito laser… e muita nave”. Desde então minha paixão por Star Wars nunca deixou a Força adormecer dentro de mim, ou pelo menos seu conceito, daquilo que nos une e nos mescla enquanto partes do universo, seja uma rocha, um animal ou uma pessoa. Desde esse dia tenho esperado quase 30 anos – sim, estou me denunciando – para ter a mesma experiência cinematográfica que milhões tiveram em 18 de Novembro de 1977. Nesta época, um filme dessa magnitude era impensável.

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O Despertar da Força vs Uma Nova Esperança
Contexto: isso foi Star Wars antes da Internet

Eis que a espera finalmente acabou. Não a espera desde o anúncio da data de lançamento, ano passado. Uma espera conflitante que esbarrou inclusive numa grande lombada chamada Episódio I, em 1999. Dando contexto a alguns neófitos na “arte” de ser fã de Star Wars, em 1999, George Lucas nos prometeu o resgate da experiência que foi a trilogia original através de uma “prequência”, na época algo muito pouco comum, contando as origens de Darth Vader. Claro que isso tinha tudo para dar certo, mas o gosto de decepção foi tão forte que muitos fãs mais velhos, e até alguns mais recentes, viveram 15 anos de amargura e ressentimento que levaram inclusive a venda da Lucasfilm para a Disney.

George Lucas é a cara da riqueza
George Lucas: “O problema no final era que eles olharam para as histórias e disseram ‘queremos fazer algo para os fãs'” Ué…

E o que isso tem a ver com cazzo da análise? Você se pergunta. Muita coisa. O Despertar da Força teve todo esse contexto de catarse, realização, completude e o fim de uma espera de décadas para um fã que acompanha Star Wars há mais de 30 anos. Antes mesmo de surgirem as críticas aos furos de roteiro, passatempo comum no século XXI entre críticos e não tão críticos, Star Wars – O Despertar da Força já era um sucesso. Se pararmos para pensar, a primeira trilogia não deveria ter passado dos 40 minutos iniciais. O mesmo império que conseguiu rastrear dois droids até a fazenda de Tio Owen não seria perfeitamente capaz de rastrear um carro até a propriedade vizinha? Luke morto, droids resgatados… FIM. Então vamos, para todos os preceitos, deixar todo o mimimi logístico de lado e observarmos esse filme pelo que ele é: O resgate de um fenômeno cultural.

Hoje em dia você não precisa assistir Star Wars para saber quem são Luke Skywalker, Princesa Leia, Han Solo, R2D2, C3PO, Chewbacca, Darth Vader e Stormtroopers. Os nomes podem ser facilmente substituídos por “moça das rosquinhas no cabelo”, “bicho alto peludo de Star Wars”, “robô baixinho engraçado de Guerra nas Estrelas” ou “O cara com respiração profusa daquele filme de ficção no espaço”. Muita gente já teve contato com Star Wars muito antes de ter visto “Guerra nas Estrelas”. É um fenômeno pop, não uma franquia em si. O que J.J. Abrams fez foi apenas filmar uma história e a tratar com o devido respeito aos fãs e não-fãs da mesma.

O sentimento ao sair do cinema...
O sentimento ao sair do cinema…

E entre os pontos altos que sacramentam J.J. Abrams como o santo padroeiro dos nerds old school, estão cenas maravilhosas que trouxeram a este redator lágrimas abundantes nos olhos. Coisas simples como o primeiro voo da “sucata” chamada Millennium Falcon. A volta à ação contrabandista de Han e Chewie. A grande decepção e coração partido de Luke que o levou ao exílio. O reencontro de Leia e Han. R2D2 desligado sem previsão de retorno e, obviamente, a morte de um dos personagens mais carismáticos da trilogia original pelas mãos do próprio filho. Além obviamente do gancho final que, por si só foi o encerramento perfeito para uma abertura de trilogia.

E não apenas a tragédia familiar característica de Star Wars estava presente, mas também uma nova geração cheia de conflitos, dilemas e reflexões sobre o certo, o errado, o dever e os sentimentos. Se você não se apaixonou por um dos três protagonistas em algum momento do filme, simplesmente deixou seu coração em casa. E todos nós queremos ver mais de todos eles em algum momento. Ouvi de várias pessoas, nos dias seguintes à estreia, que estão ansiosos para ver o que Finn, o soldado sem nome, vai fazer quando se recuperar. Será que Poe Dameroe vai ter maior participação além de só atirar nos caças? E quão importante será Rey como “sucessora” de Luke Skywalker? Entendam como preferirem. J.J. e Lawrence Kasdan acertaram em cheio ao tentar reconstruir a tríade do primeiro filme. Com muito mais carisma, conflitos e paixão que Padme, o infante Anakin e Obi-Wan… os quais podemos finalmente enterrar e esquecer.

Star Wars: O Despertar da Força mata Trilogia prequencia
Descanse em paz…

Todo filme tem suas falhas. Seja um stormtrooper batendo a cabeça em uma porta, ou um efeito de sabre errado em um momento climático. O Despertar da Força também foi redenção. Foi catarse e também o grito dos esquecidos ao longo dos últimos quase 40 anos de fenômeno cultural. Foi divertimento para a nova geração e entendimento para a antiga. Foi desconstrução e recapitulação. O Despertar só não foi completo porque a Força nunca, em todo esse tempo, realmente ficou adormecida. Apenas seguiu seu caminho tortuoso e misterioso até os corações de uma nova geração, com BB-8, Poe, Rey e Finn. Nada que criticarem de técnico vai conseguir tirar esses méritos emocionais, culturais e históricos com os quais Abrams e a Disney conseguiram se posicionar com o mais absoluto sucesso. O filme do ano para muitos é para alguns o filme de uma vida. E não tenham um pingo de vergonha em deixar a crítica de lado para dizer isso. Eu vi Sta Wars – O Despertar da Força no dia da estreia.

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