Com Stranger Things, a mais nova produção original da Netflix, a empresa mostra sua qualidade como produtora de conteúdo. A série ambientada nos anos 80 agrada quase de imediato ao público, não só pela boa história, mas também por toda a ambientação e referências à década.

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Pense num grupo de garotos sendo perseguidos por agentes do governo, detalhe: eles estão de bicicleta e carregam entre eles um personagem com poderes especiais… Acredite, não estamos falando do clássico ET de Steven Spilberg, mas este talvez seja o primeiro e mais claro exemplo do bom uso de referências que a série faz.

A história de Stranger Things se passa em Indiana, na pequena cidade de Hawkiings onde nada de anormal acontece há anos. Nesse cenário pacato quatro amigos estão numa intensa campanha de RPG, já se passam mais de 10 horas de jogo, detalhe, esqueça joystick, banda larga, mouse, tablets ou qualquer outro gadget envolvido nessa diversão. Estamos falando de tabuleiro, algumas peças plásticas representando os personagens, dados e… imaginação. Em meio a essas “estranhezas” surge o grito da mãe de Mike (Finn Wolfhard) interrompendo a brincadeira, é hora de cada um voltar pra sua casa.

No trajeto de volta pra casa os amigos Lucas (Caleb McLaughlin), Dustin (Gaten Matarazzo) e Will (Noah Schnapp) vão se despedindo até que este último, já bem próximo de sua casa, começa a ser perseguido por um estranho ser e desaparece sem deixar sinal. Com essa guinada abrupta tem início a trama e parte de todo o suspense de Stranger Things, que como toda boa série se desdobrará em tramas e personagens secundários.

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Ao se dar conta do desaparecimento do filho, Joyce (Winona Ryder) se desespera e parte numa busca frenética mas sem qualquer resultado. Em contra partida, juntando suas experiências das aventuras “vividas” em livros ou nos jogos de RPG, Lucas, Dustin e Mike iniciam uma busca paralela pra encontrar o amigo desaparecido. Ao refazer os últimos passos de Will o trio encontra outro personagem, trata-se de Onze (Millie Brown), como será nomeada por Mike, uma misteriosa garotinha que mal se comunica, mas o seu surgimento parece ter alguma relação com o sumiço de Will.

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A partir daí segue a primeira temporada da série, são oito episódios muito bem construídos e amarrados. No elenco, Matthew Modine (Dr. Martin Brenner) e Winona Ryder são os nomes mais conhecidos, a atriz sumida dos grandes papéis mostra novo folego para atuar, enquanto Modine aparece apenas correto. Ao redor desses um jovem e talentoso elenco mantém o tom misterioso-cômico da série, com destaque para Finn Wolfhard e seu personagem Mike, o mais próximo de um protagonista em toda a história, que divide muito bem a importância dos papéis e suas influências.

As referências à cultura pop, nerd, literatura e cinema, aparecem a todo instante, mas o grande barato de Stranger Things é a ambientação recriando os hábitos e costumes dos anos 80. Por tanto, ainda que você não seja um NERD de carteirinha, mas tenha vivido por aqueles dias, conseguirá captar cada uma das informações compartilhadas. Coletâneas de música em fita cassete, brincadeiras nas ruas, roupas largas, cabelos… O que eram aqueles cabelos? Mas enfim, dessa forma a série se torna um atrativo para os jovens e para aqueles trintões (como este que vos fala) cheios de nostalgia, principalmente ao ouvir o som de The Cure, Joy Division, entre outros. O que nos leva a outro elemento delicioso em Stranger Things, a trilha sonora. Em parte surge como alegoria dramática e em outros momentos tem a sua função na história como no momento em que
Jonathan (Charlie Heaton), o irmão mais velho de Will, apresenta ao caçula a banda que ele não poderia deixar de conhecer, estamos falando de The Clash.

A direção e roteiro são dos irmãos Ross Duffer e Matt Duffer, numa boa estreia, se técnica e linguisticamente Stranger Things não traz nada de novo, sua grande sacada além da boa história foi encontrar um nicho carente de boas produções familiares. Longe de ser ingênua, a produção dos irmãos Duffer mostra que é possível, através de uma atenta revisão de um passado recente, produzir histórias novas sem apelar a remakes ou cenas fortes de violência e sexo.

Tudo bem que é a primeira temporada e você, caro leitor e apreciador de séries, bem sabe que de início tudo funciona assim mesmo, ritmo frenético, ação, suspense, poucas divagações ou rotas alternativas que se distanciam do grande problema. Vamos aguardar, mas o surgimento de Strange Things é empolgante e até aqui bastante agradável o que torna sua continuação ou não, mais um mistério que iremos acompanhar.

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