Não é fácil decidir qual é a melhor série de comédia de todas. Há tantas séries tão envolventes que a escolha acaba sendo mais emocional do que racional, séries como Friends, How I Met Your Mother, Seinfeld, Full House, Modern Family entre muitas outras.
E o sucesso se dá por uma série de fatores como:

Assine nossa lista de e-mails para ter novidades nerds de alta qualidade, imediatamente, assim que forem postadas

1) – É muito mais difícil escrever comédia do que drama;

2)- É impossível não se envolver emocionalmente com os personagens;

3)- Os episódios são curtos e leves, então dá para qualquer pessoa ver.

Neste cenário não é difícil imaginar o sucesso de público e crítica de The Good Place, que está disponível na Netflix, e é uma das melhores séries da atualidade – não apenas de comédia. The Good Place é uma série criada por Michael Schur (Parks and Recreation, Brooklyn Nine-Nine) e conta a história de Eleanor (vivida por uma Kristen Bell absolutamente irresistível) que morreu em um bizarro acidente com carrinhos de supermercado e vai para o Paraíso. O local é arquitetado por Michael (Ted Danson, hilário!) e se parece muito com a ideia de paraíso que todos nós temos: as pessoas são felizes, o mundo é pacífico e todos estão em paz.


Só há um problema: Eleanor não deveria estar lá. Seu relatório diz que ela era uma advogada que fazia causas humanitárias, mas que na verdade, era uma operadora de telemarketing que vendia medicamentos sem efeito aos idosos, individualista e que só pensava em si mesma. Em vista disso, Eleanor sente que precisa aprender a ser uma pessoa boa e por isso conta com a ajuda de Chidi, sua “alma gêmea” e professor de literatura.


Paralelamente a isso, temos Jason, um monge que fez o voto de silêncio, Tahani, sua parceira e Janet, uma espécie de androide que serve a todos e possui um banco de dados com conhecimentos quase infinitos. Com um tema tão polêmico como esse, era normal que The Good Place tomasse um lado mais sentimental, espiritual e com lições de moral, mas felizmente não há nada disso: a série usa este pano de fundo para criticar o nosso conceito de moral comportamental, as relações interpessoais e o maniqueísmo entre o bem e o mal. O roteiro é cuidadoso ao não ser tendencioso para nenhum dos lados e embora o público torça pela protagonista, entende a pessoa que ela foi enquanto estava viva, mas considerando que ela se esforce para ser uma pessoa melhor. The Good Place não seria de nada sem seus personagens maravilhosos: Kristen Bell, que merece um Emmy ou Globo de Ouro para ontem, que interpreta o melhor papel de sua carreira na série. Vemos sua evolução como pessoa boa e os flashbacks de quando era viva mostram sua verdadeira personalidade. A forma como ela transita entre seus dois perfis é brilhante.


Ted Danson faz seu melhor papel em anos, como um arquiteto atrapalhado e até idealista, mas não demora muito para perceber que tem algo estranho. Outro destaque na série é Janet, que protagoniza os momentos mais hilários da série e justamente por não ser humana, age mais pela razão do que pelos impulsos. Ela também merece indicações para coadjuvante. Praticamente é plot twist a cada episódio – algo que muitos roteiristas de séries “sérias” têm dificuldade de fazer e o roteiro consegue deixar seu público fisgado e ansioso pelo episódio seguinte. É quase impossível deixar de maratonar e, como são apenas 22 minutos por episódio, a maratona flui quase de forma imperceptível!


E mesmo na transição da 1ª para a 2ª temporada há uma virada de roteiro que muda os paradigmas da série e perspectivas do público com os acontecimentos, mas sem perder o ritmo. Quem nunca viu The Good Place ou sequer ouviu falar sobre, está perdendo uma das melhores séries da atualidade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here