Em março de 2018 foram lançados 3 blockbusters que prometeram muito e entregaram pouco: Tomb Raider – A Origem, Círculo de Fogo – A Revolta e Uma Dobra no Tempo. Todos fracassaram de bilheteria e foram muito criticados, e mesmo tendo passado pouco tempo de lançamento, seus estúdios fingem que os filmes nunca existiram.

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Mas também há o oposto, que são aqueles filmes que ninguém espera nada, chegam sem fazer barulho e que arrebatam a crítica, o público e até premiações, como os recentes Corra ou Lady Bird.

E é justamente neste segundo cenário é que entra o suspense/terror Um Lugar Silencioso, que chega aos cinemas já arrancando elogios de todos e com muitos dizendo que o filme pode chegar forte para a temporada de premiações no início de 2019.
Um Lugar Silencioso se passa em um futuro pós-apocalíptico onde o mundo foi tomado por criaturas estranhas que não enxergam, mas com uma audição inacreditável, fazendo com que os poucos sobreviventes emitam o mínimo de ruído possível.


Neste cenário, vive uma família com 4 pessoas, a mãe, o pai e um casal de filhos, sendo que a garota é surda tanto no filme quanto na vida real.
Essa família se comunica pela língua de sinais americana, possuem uma rotina própria em que devem fazer o máximo de silêncio, mas não demora muito para atrair os monstros.
Quem dirige, escreve e atua no filme é John Krasinski, mundialmente conhecido pela série The Office e pelo seu humor. Aqui ele resolveu se arriscar em um gênero no qual não está acostumado e se sai incrivelmente bem.


O filme faz muito com pouco, basicamente estes são os 4 personagens do filme, poucas locações, mas o que chama mesmo atenção é a narrativa, que usa do silêncio como um elemento a mais para o filme, onde o espectador fica tenso para o próximo passo ou o próximo som que o filme possa emitir.
Há um trabalho maravilhoso aqui de Mixagem de Som, com o bom uso do som em função do roteiro, tudo milimetricamente calculado para ficar o mais crível possível. E consegue.


Quem olha de fora pode achar que o filme seja chato ou enfadonho porque quase não há som ou diálogos, mas assim como foi em Wall-E, o que poderia ser um ponto contra acaba sendo a favor, já que o público consegue sentir mais e vivenciar melhor a história. E como se trata de um trama de terror, serve para o espectador ficar igualmente tenso e embarcar no clima do gênero junto com os atores em tela.

John Krasinski se sai muito bem como diretor, seu clima claustrofóbico lembra o de filmes como Os Outros, de 2001, seu roteiro foi muito bem criado apesar de algumas cenas darem spoilers de outras seguintes – o que acontece mais de uma vez, o que tirou a nota máxima que daríamos ao filme – mas agora só queremos ver os próximos projetos dele, e junto com Michael Bay (o diretor da franquia Transformers) que deveria investir mais em projetos assim, de baixo orçamento, elogiados e rentáveis.
Emily Blunt faz a matriarca da casa e esposa de Krasinski na vida real e está excelente como a dona de casa grávida, protetora, mas que também luta pela sobrevivência. A cena da banheira e a do prego já estão candidatas a melhor cena do ano!
Emily já está aí em Hollywood desde O Diabo Veste Prada e há tempos merece reconhecimento nas premiações. A chance é difícil, mas seria interessante vê-la sendo lembrada por este filme.


Mas quem se sai melhor neste filme é a pequena Millicent Simmonds, deficiente auditiva na vida real, o que dá uma vivacidade à personagem, mas que gera um dilema: como não escutar uma criatura tão letal?
Mas sua atuação vai além das circunstâncias: há um arco dramático envolvendo sua personagem tão ou até mais interessante do que a trama principal.
A atriz merece estar nas premiações do início do ano.


Um Lugar Silencioso é um suspense/terror diferente, eficaz e os elogios em volta do filme são mais do que justos. A safra do gênero está ótima, com filmes como a franquia Invocação do Mal, A Bruxa e o próprio Corra.
Dizem que é a melhor época para ser nerd, o que é verdade, mas também é a melhor época para fãs de terror.

Nota 9,0

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